Série Estilos de Cerveja · Capítulo 02
Belgian White Ale: a história de uma tradição resgatada
Resumo rápido
Belgian White Ale, que alguns conhecem como Witbier, é uma cerveja de trigo belga, pálida, turva e refrescante. Leva trigo não maltado, tem baixo amargor, alta carbonação e um final seco, com notas cítricas e condimentadas que vêm de coentro e casca de laranja. Fica em geral entre 4,5% e 5,5% de álcool.
É um dos estilos mais antigos da Bélgica — e um dos mais bonitos de contar. A Blanche quase se perdeu no tempo quando a última cervejaria que a produzia fechou, em 1957, e foi resgatada nos anos 1960 por um cervejeiro da região que reconstruiu a receita de memória. A Blanche de Curitiba é a versão da Bodebrown desse estilo: produzida desde 2012, feita com coentro e casca de laranja, refermentada na lata e premiada com ouro no Festival Brasileiro da Cerveja em 2013 e 2017.

Rótulo Antigo da Blanche de Curitiba
Tem cerveja que a gente vende. E tem cerveja que a gente gosta de contar a história antes de vender. A Blanche de Curitiba é das segundas. Ela está entre as mais antigas da casa — a quarta cerveja que a Bodebrown botou no mundo, lá em 2012 — e carrega um estilo que quase ficou só na lembrança de quem provou. Quase, mas não ficou. O estilo dela é a Belgian White Ale, uma cerveja de trigo belga que tem gente que conhece por Witbier.
De onde vem a Blanche
Ela nasceu na região de Leuven, na Bélgica, com raízes que chegam à Idade Média. Por séculos foi a Blanche típica daquela região, feita nas cervejarias locais. A receita clássica é trigo não maltado misturado a malte de cevada claro, temperada com coentro e casca de laranja seca. Baixo amargor, muita carbonação, final seco. Uma cerveja de verão, feita pra matar a sede.
A parte que faz valer conhecer o estilo
Aqui está o motivo de a gente insistir que tomar uma Belgian White Ale é tomar um pedaço de história. No começo do século 20, a Blanche foi perdendo espaço pras lagers industriais. Uma a uma, as cervejarias que faziam o estilo fecharam. Em 1957, a última delas encerrou a produção, e a Blanche sumiu das prateleiras. Por quase dez anos, não havia uma única sendo feita — ela ficou só na lembrança de quem tinha provado.
Até que um resgate deu certo. Nos anos 1960, um cervejeiro da região se recusou a deixar essa tradição desaparecer. Foi atrás da receita antiga, reconstruiu tudo praticamente de memória e trouxe a Blanche de volta ao mundo. Deu tão certo que o estilo voltou com força total, se espalhou pela Bélgica e depois pelo planeta. Toda Belgian White Ale que existe hoje, inclusive a nossa, é herança desse resgate.
Ficha técnica do estilo (BJCP)
Perfil sensorial
É uma cerveja pálida, do amarelo-palha ao dourado, e turva de propósito — a névoa vem do trigo e da levedura, não é defeito. A espuma é branca, densa e cremosa. No aroma e no sabor, você encontra pão branco e trigo, especiarias suaves e uma acidez cítrica que puxa pra laranja e limão. O amargor é baixo, e o final é seco e crocante. É leve de beber sem ser sem graça.
O currículo da Blanche de Curitiba
A nossa versão nasceu inspirada na tradição belga das bière blanche e virou referência de Belgian White Ale no Brasil. Os números confirmam: são dois ouros no Festival Brasileiro da Cerveja, em 2013 e 2017. Ela é feita do jeito clássico, com coentro e casca de laranja de verdade — é daí que vêm as notas cítricas e condimentadas do aroma. E tem um diferencial de produção que a maioria das latas por aí não tem: ela é refermentada dentro da própria lata. É a levedura seguindo o trabalho lá dentro, do mesmo jeito que as belgas tradicionais são refermentadas na garrafa. É isso que dá a ela vida no copo e aquela espuma cremosa.

Ficha da cerveja
Como servir e com o que harmonizar
Sirva bem gelada, numa taça que ajude a levantar a espuma. Ela é uma companhia versátil à mesa: vai bem com aves, peixes, saladas e queijos (cabra, Gruyère, Gouda, Manchego e branco). Pra ir mais longe, experimente com moules et frites (mariscos com batata frita), legumes na brasa, champignon na mostarda e carne de onça. A leveza cítrica dela limpa o paladar e segura pratos gordurosos sem pesar.
Perguntas frequentes
O que é uma Belgian White Ale?
É uma cerveja de trigo belga, pálida, turva e refrescante, com baixo amargor, alta carbonação e final seco. As notas cítricas e condimentadas vêm tradicionalmente de coentro e casca de laranja. Também é conhecida como Witbier ou blanche.
Qual a diferença entre Witbier e Belgian White Ale?
Na prática, nenhuma: são nomes diferentes para o mesmo estilo. “Witbier” é o termo flamengo, “blanche” é o francês e “Belgian White Ale” é o nome em inglês. O guia BJCP cataloga o estilo justamente como Witbier (categoria 24A).
Qual o teor alcoólico de uma Belgian White Ale?
O estilo costuma ficar entre 4,5% e 5,5% de álcool. A Blanche de Curitiba tem 5,2%, dentro dessa faixa clássica.
Por que a Blanche é turva?
Porque ela não é filtrada e leva bastante trigo. O amido do trigo e a levedura em suspensão deixam a cerveja com aquele aspecto leitoso e opaco. É característica do estilo, não um defeito.
Belgian White Ale é uma cerveja de trigo?
Sim. O trigo é o coração do estilo, tradicionalmente não maltado, combinado com malte de cevada claro. É o trigo que dá o corpo leve, a turbidez e o caráter refrescante.
Com o que harmonizar uma Belgian White Ale?
Ela vai bem com pratos leves e cítricos: aves, peixes, saladas e queijos como cabra, Gruyère e Gouda. Também combina com frutos do mar, legumes na brasa e pratos com mostarda.
Prove um pedaço dessa história
A Belgian White Ale quase ficou só na memória de quem a provou. Voltou por pura teimosia, e a gente trouxe essa tradição pra Curitiba do nosso jeito. Tomar uma Blanche de Curitiba é celebrar um resgate que valeu muito a pena.
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